human · marcia-chaves · · Psicologia · 3 min read

A ordem mantém

          Uma das condições fundamentais para o sucesso das relações é a ordem. Refiro-me, primeiramente, às regras que regem a convivência de um grupo de forma fixa. Em todas as relações mais duradouras, desenvolvem-se normas e ritos, convicções e tabus, que se tornam obrigatórios para todos. Relações se transformam, portanto, em um sistema ordenado e estruturado. Trata-se aqui de uma ordem mais superficial e acordada.

            Por trás dela atuam outras ordens, que são predeterminadas e que não estão sujeitas à conformidade. Essas ordens eu chamo de Princípios Básicos da Vida.

            Quais são os contextos que costumam gerar problemas? Vou resumi-los brevemente aqui – estas compreensões são o resultado de décadas de observação e experiência. Problemas em famílias, em um sentido mais amplo, e o fracasso em qualquer relação humana são provocados principalmente por duas desordens.

As duas Leis Básicas da Vida que determinam sucesso e fracasso na vida e nas relações são:

  1. Todos têm o mesmo direito de pertencer.
  2. Todos têm um lugar que lhes cabe dentro do seu grupo, que varia conforme o tempo de pertencimento a este grupo. Há, portanto, uma ordem hierárquica de precedência.

Por que estes Princípios Básicos da Vida são desrespeitados?

  1. Porque são, em grande parte, desconhecidos.
  2. Porque nossa consciência pessoal se contrapõe a eles, como força motriz.

O que isto significa para nós? Os Princípios Básicos da Vida foram reconhecidos e revelados pela Constelação Familiar. Eles exigem uma reorientação em todos os níveis da consciência e da ação.

            Ordens são princípios gerais predeterminados, segundo os quais algo se desenvolve. Por exemplo, uma árvore se desenvolve seguindo uma ordem específica, caso contrário, não seria mais uma árvore. Essa ordem lhe é própria e predeterminada. E, no entanto, cada árvore é diferente da outra. O pinheiro não cresce como o carvalho. Ambos seguem ordens distintas, que todos conseguimos enxergar e distinguir.

              Nas relações humanas, coloca-se ainda outra questão: O que é maior e mais importante, o amor ou a ordem? O que vem primeiro?

             Muitos acreditam que, se amarem suficientemente, tudo ficará em ordem. Muitos pais acham que se amarem seus filhos o suficiente, os filhos se desenvolverão como os pais o desejam. A maioria dos pais que pensa assim sofre uma decepção. É claro que só o amor em si não basta.

            A relação entre pessoas somente funciona de acordo com determinadas ordens. O amor também precisa se sujeitar a elas. Quando conhecemos estas ordens, o amor também dá certo. E quando as violamos, até o maior amor fracassa.

(HELLINGER, Sophie. A Própria Felicidade. v. 1. Brasília: Tagore Editora, 2019. pp.24-26)

— Márcia Chaves

Terapeuta e docente em Constelação Familiar e Filosofia Sistêmica.